As duas estrelas da França — de Zidane a Mbappé
Vinte anos entre os dois títulos. Dois técnicos, duas gerações e uma cultura futebolística que aprendeu a vencer em torneios.
A França ergueu a Copa do Mundo pela primeira vez em 1998 e repetiu a façanha em 2018 — exatamente 20 anos depois. Nas três finais que disputou (1998, 2006, 2018 e 2022), o país se consolidou como uma das seleções mais consistentes do futebol moderno.
1998 — Zidane em casa
O primeiro título veio em solo francês. O grupo do técnico Aimé Jacquet — Fabien Barthez, Laurent Blanc, Marcel Desailly, Lilian Thuram, Didier Deschamps, Emmanuel Petit, Youri Djorkaeff, Thierry Henry, Zinedine Zidane — passou pelo torneio como um rolo compressor e atropelou o Brasil, então bicampeão, por 3 a 0 na final do Stade de France. Zidane cabeceou dois escanteios no primeiro tempo; Petit fez o terceiro nos acréscimos. Jacquet havia sido duramente criticado na preparação para o torneio; no apito final, era herói nacional.
2006 — A cabeçada
A França ficou a minutos de conquistar a segunda taça em Berlim 2006, com Zidane saindo da aposentadoria internacional para uma última cavalgada. Ele cobrou um pênalti em estilo cavadinha contra a Itália na final, chegou a uma assistência de ser eleito o melhor jogador do torneio e, já na prorrogação, desferiu uma cabeçada no peito de Marco Materazzi e foi expulso. A Itália venceu nos pênaltis. Segue sendo um dos finais mais dissecados da história do esporte.
2018 — Deschamps completa a coleção
Doze anos depois, Didier Deschamps — capitão em 1998 — ergueu a taça como treinador. A França bateu a Croácia por 4 a 2 na final de Moscou. Kylian Mbappé, aos 19 anos, marcou na decisão e se juntou a Pelé como os únicos adolescentes a fazerem gol em uma final de Copa. Ao redor dele: Antoine Griezmann, Paul Pogba, N’Golo Kanté, Raphaël Varane, Hugo Lloris. Deschamps entrou no clube de Beckenbauer e Zagallo como os únicos a conquistarem uma Copa do Mundo como capitão e como técnico.
2022 — Por pouco
Quatro anos depois, a França quase se tornou a primeira seleção desde o Brasil de 1962 a levantar a taça duas vezes seguidas. Perdendo por 2 a 0 para a Argentina a dez minutos do fim da final no Lusail, Mbappé marcou um hat-trick — o primeiro em uma final de Copa desde Geoff Hurst em 1966 — e levou a decisão aos pênaltis. A Argentina venceu. Deschamps continuou no cargo.
2026 — A quarta e última de Deschamps
Didier Deschamps já disse que 2026 será sua última Copa como técnico da França. Mbappé, agora capitão e camisa 9 do Real Madrid, é o ponto de apoio óbvio. A reformulação do meio-campo em torno de Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga é a história de verdade: a França chega como uma das favoritas, mas também carrega um peso muito específico — já ficou em segundo com essa base uma vez, e um técnico de torneio da experiência de Deschamps não costuma deixar segundas chances passarem em branco.